Cirurgia Ortognática – Cirurgia dos Maxilares

A Cirurgia Ortognática contribui para promover um equilíbrio entre as proporções faciais, melhorando a estética facial e a mordida, a fala e até a respiração. Com isso, esse procedimento cirúrgico pode ser estético e, ao mesmo tempo, funcional. Em ambos os casos, a cirurgia poderá contribuir para melhorar a autoestima de quem se sente incomodada (o) com a desarmonia facial.

Duração do procedimentoCerca de 4 horas.
Quem pode fazerMulheres e homens com desarmonia facial e que apresentam problemas com a mastigação, a fala ou com a respiração.
Pós-operatórioVocê ficará em repouso durante os primeiros 20 dias e ingerir apenas líquidos e alimentos pastosos. A mastigação normal ocorrerá em aproximadamente 50 dias.

O procedimento pode ser realizado em todas as mulheres e homens adultos que estão incomodadas (o) com uma aparente desarmonia facial. Essa assimetria pode resultar de um crescimento inadequado dos ossos da face, podendo afetar a saúde e o bem-estar da pessoa.

A cirurgia é, geralmente, realizada no interior da boca e consiste em movimentar os ossos da face para uma nova posição na melhor posição possível. Para isso, é necessário que o cirurgião deixe a estrutura óssea mais “solta” durante o procedimento para, então fixar uma nova posição facial, geralmente utilizando placas e parafusos de titânio. É recomendado um tratamento com aparelhos dentários antes da cirurgia, se os dentes estiverem desalinhados.

As alterações cirúrgicas são visíveis após algumas semanas do pós-operatório, porém ainda haverá um inchaço na região, que diminuirá com o tempo. A dor no pós-operatório é rara, mas, se houver, o médico poderá receitar medicamentos específicos.

É importante conversar com o médico sobre seu histórico de doenças, tratamentos, uso de medicamentos, alergias, cirurgias prévias, histórico médico familiar e etc. Após essa conversa inicial, o cirurgião indicará alguns exames pré-cirúrgicos (exames de laboratoriais de rotina, bem como o risco cirúrgico e outros) para estudar sua condição de saúde atual. Aproveite esses momentos iniciais para esclarecer TODAS as suas dúvidas com relação à Cirurgia Ortognática.

Já no dia da cirurgia, o médico lhe pedirá para realizar um jejum e chegar ao hospital com antecedência e com um acompanhante para internação.

A cirurgia é permanente?

Sim. Porém, nos casos em que há má oclusão (mordida), o paciente deve, após a cirurgia, continuar um tratamento para a correção completa desse problema.

Mova a barra central para ver o antes e depois.
Imagens meramente ilustrativas de caráter educativo. Não devem ser interpretadas
como garantia de resultados.

A cirurgia ortognática visa corrigir a posição do osso maxilar e/ou da mandíbula. Ou seja, tenta ajustar deformidades ósseas a fim de obter um equilíbrio no sistema estomatognático levando em consideração as características faciais do paciente.

A mandíbula e/ou a maxila na posição anatômica pode proporcionar um equilíbrio nas proporções faciais, além de promover alterações nos tecidos moles: queixo, bochechas, lábios e nariz.

No passado as máoclusões dentárias e esqueléticas eram tratadas apenas por meio da ortodontia. Aparelhos ortodônticos fixos e móveis eram utilizados para alinhar a posição dos dentes na arcada dentária, a fim de alcançar melhor contato entre os dentes e melhorar a função mastigatória, mas esses tratamentos não alteram a posição óssea. Frequentemente, o perfil do rosto não se equilibra com esse tipo de tratamento.

Razões para a fazer:

  1. Alterações das proporções faciais
  2. Distúrbios das relações dentárias – má oclusão dentária
  3. Problemas de articulaçãona articulação têmporomandibular
  4. Problemas mastigatórios
  5. Apneia do sono – distúrbios respiratórios
  6. Falta de aceitação com as aparências faciais – distúrbios psicológicos

O que é cirurgia ortognática?

A cirurgia ortognática (cirurgia dos maxilares) é um procedimento para correção cirúrgica de anormalidades ósseas maxilo-mandibular. Assim, ela pode restaurar a simetria e as proporções faciais, normalizar a mordida e, consequentemente, restaurar a saúde e melhorar a qualidade de vida.

Quando os dentes se fecham incorretamente devido a deformidade óssea, o uso de aparelhos ortodônticos pode ser uma medida espetacular, porém em alguns casos poder ser necessário “devolver” os ossos à sua posição.

Quando o ortodontista percebe que o problema não pode ser tratado apenas com aparelho, geralmente ele encaminha o paciente a um cirurgião.

O que é cirurgia ortognática minimamente invasiva?

É um conjunto de técnicas e procedimentos que tornam a operação o mais confortável possível. Todas as manipulações para corrigir a má oclusão do adulto e os defeitos ósseos faciais são realizadas através da cavidade oral, com o número mínimo necessário de procedimentos cirúrgicos e uma incisão mínima.A cirurgia ortognática não deixa cicatrizes no rosto, todas as manipulações são realizadas pela boca com incisões mínimas. Por esse motivo, não apenas a duração da operação é reduzida, mas também o período de recuperação após a redução.

Quem precisa de cirurgia ortognática?

Podem se beneficiar aqueles pacientes que apresentam mastigação incorreta ou arcos dentários mal posicionados devido a desequilíbrios no crescimento da mandíbula e/ou maxila. Essas alterações podem criar uma série de problemas na função mastigatória, na ventilação e na saúde da boca a longo prazo, além de sérios prejuízos no aspecto estético.

Pacientes que podem necessitar da cirurgia:

  • Mordida aberta (incapacidade de fechar os dentes)
  • Mandíbula pequena e queixo para trás
  • Prognatismo com mordida cruzada
  • Apneia do sono e dificuldades respiratórias durante o sono
  • Incapacidade de fechar lábios sem esforço
  • Dificuldade em morder e mastigar
  • Dificuldade em engolir e falar
  • Dor crônica na mandíbula e dor de cabeça

Qualquer crescimento desigual ou desproporcional da mandíbula/maxila, trauma facial ou defeitos congênitos produzem problemas e sintomas que requerem o trabalho de uma equipe composta por cirurgião maxilofacial, ortodontista e dentista. Para entender se o seu caso precisa de cirurgia, procure um cirurgião maxilofacial.

Cirurgia Ortognática Classe 1

A cirurgia ortognática em pacientes classe 1 é indicada apenas para correção do aspecto facial, pois nesse caso existe correta relação entre as  bases ósseas (maxila e mandíbula). Entre as várias má oclusões, são as  mais rápidas de tratar, pois todo o trabalho de ortodontia que geralmente precisa ser feito para corrigir a relação entre os molares não é necessário aqui.

De origem incerta, alterações de classe 1 podem ocorrer em pacientes com componente hereditário, mas pode acontecer após trauma, ou afecções incertas. Quais as alterações que podem levar à cirurgia de classe 1:

  • Perda repentina de equilíbrio que leva à queda dentária
  • Ranger os dentes durante o sono e sem controle consciente
  • Danos dentários por cuidados inadequados
  • Hábito de manter a chupeta ou o polegar na boca
  • Alguns tumores da cavidade oral

Cirurgia Ortognática classe 2

A cirurgia de classe 2 é realizada quando, por problemas ósseos, a arcada dentária inferior está muito atrás da arcada dentária superior.Os dentes superiores estão, portanto, bem à frente dos dentes inferiores e os arcos dentários podem estar separados por uma folga ou, se não houver folga, os incisivos estão inclinados. Nas características faciais, esse defeito se manifesta pela retração do queixo e contração do lábio inferior. Também pode haver um distúrbio esquelético em que o osso maxilar é muito extenso, mas geralmente o osso da mandíbula não é bem desenvolvido. Na maioria das vezes esses problemas são hereditários.

A variedade de sintomas dependerá de cada caso. Pacientes com deformidade em classe 2 podem ter dificuldade para morder e mastigar os alimentos, problemas com a pronúncia e a articulação adequada dos sons e, em casos extremos,  babação (pode ocorrer desconforto devido ao vazamento de saliva pela boca).

Em alguns casos, os pacientes classe 2 podem ter dificuldade para fechar e unir os lábios, o que pode resultar em maior propensão à cárie. O desalinhamento dos dentes também pode levar à sobrecargas oclusais com consequente maior rapidez de perdas dentárias ou distúrbios da articulação têmporomandibular.

Cirurgia ortognática classe 3

Entende-se por má oclusão classe 3 a deformidade facial particular na qual houve um crescimento excessivo da mandíbula (parte inferior) ou pouco desenvolvimento da maxila. Observando-se os pacientes que apresentam esse tipo de má oclusão, nota-se uma significativa proeminência do queixo, principalmente se vista de perfil, enquanto a parte central da face (lábio superior e bochecha) parece achatada.

Nesse caso, quanto mais cedo for realizada, maior a probabilidade de se corrigir ou pelo menos reduzir a extensão da discrepância.

O sucesso da cirurgia classe 3 depende de muitas variáveis. Dentre elas,  a experiência do cirurgião maxilofacial para reconhecer o candidato que realmente irá se beneficiar desse tipo de cirurgia é fundamental.

Cirurgia ortognática: recuperação

A fase pós-operatória e a recuperação da cirurgia dependem principalmente da magnitude do procedimento. De fato, quanto mais invasiva é a operação, mais tempo e terapias de reabilitação  serão requeridos na fase pós-operatória.

Lembre-se de que, devido ao uso de anestesia geral, é indispensável a internação do paciente por um período mínimo de 24 horas.

Como mencionado, a recuperação depende do método cirúrgico utilizado. Após a cirurgia, há um inchaço no rosto que aumenta progressivamente nos três dias após a cirurgia. O inchaço desaparece dentro de algumas semanas, assim como as feridas cirúrgicas. Inicialmente, pode haver dormência na área de corte por algum tempo.

Período de recuperação

Após a cirurgia podem ser utilizadas radiografias para o médico verificar a condição alcançada. Se a posição dos maxilares for alterada durante a cirurgia, recomenda-se uma dieta suave por cerca de seis semanas para permitir que as articulações ósseas têmporomandibulares se recuperem.

Um consulta para acompanhamento é realizada cerca de uma semana após a cirurgia e, em alguns casos, as suturas são removidas. Durante o acompanhamento pós-operatório a mordida sempre é inspecionada e, ao final do tratamento, geralmente um novo exame radiográfico é realizado.

Após 10 dias da intervenção é possível retomar uma vida praticamente normal, porém evitando-se atividades cansativas, saunas e exposição ao sol. Para retorno às atividades físicas mais intensas, recomenda-se o um período de adaptação gradual após 17 e 20 dias e por, pelo menos, três semanas.

A ortognática é um procedimento cirúrgico complexo e o tratamento com um médico experiente permite o gerenciamento ideal de possíveis complicações.

Pós operatório

A cirurgia ortognática é realizada sob anestesia geral em ambiente hospitalar. Portanto, espere passar, pelo menos, uma noite no hospital após a cirurgia, para que seu estado geral seja monitorado de perto.

Independente dos protocolos em vigor, da situação específica e da rotina do cirurgião, a alta será concedida o mais rápido possível para que a recuperação possa ser realizada no conforto da casa do paciente.

Como no conforto do lar não há supervisão continuada equipe médica, pode ser que os primeiros dias em casa sejam repletos de incertezas e preocupações, o que é normal. Portanto, é fundamental conhecer várias informações sobre esse período pós-operatório inicial. É importante lembrar que todos os pacientes são diferentes e ninguém reage da mesma maneira. Uma fonte de preocupação para um paciente pode não ser motivo de preocupação para outro. Portanto, é difícil listar quais seriam os sintomas normais e anormais. Além disso, não existem regras que possam determinar quanto tempo os sintomas podem persistir ou desaparecer, pois existem vários fatores determinantes e estes são exclusivos de cada pessoa.

Inchaço

O inchaço (edema) é caracterizado por uma área do corpo que está aumentada e, em algumas vezes, com temperatura mais alta do que em outros lugares. Deve-se ter em mente que esse fenômeno geralmente é a primeira resposta (normal) do corpo iniciar o processo de cicatrização.

O edema é temporário e aparece na face durante as primeiras 24 a 72 horas após a cirurgia, na maioria dos pacientes. Geralmente é concentrado na área afetada pela cirurgia, seja na maxila, na mandíbula, em  ambos ou incluindo o queixo.

O inchaço é de intensidade variável; pode ser mínimo em algumas pessoas e muito intenso em outras. Tende a ser um pouco intenso quando a mandíbula tiver sido reposicionada, porém pode se estender até a testa ou descer ao pescoço pelas têmporas, deformando um pouco o rosto.

A maioria dos edemas desaparecem em 7-14 dias. Por outro lado, um discreto inchaço pode persistir por várias semanas em certos indivíduos, dependendo da capacidade do corpo de se recuperar e do atendimento correto pelo paciente às recomendações do cirurgião.

Dor e desconforto

A dor é quase inevitável após a cirurgia ortognática, por isso é considerada ”normal“, mas sua intensidade pode variar muito de uma pessoa para outra e de acordo com o procedimento cirúrgico realizado(apenas maxila, apenas mandíbula ou ambos).

Dependendo da sua tolerância pessoal, da maneira como o seu corpo responde e da natureza da cirurgia, você pode sentir pouca ou muita dor no pós-operatório.

É difícil, senão impossível, prever a intensidade da dor experimentada, dado o número de fatores que podem ser levados em consideração.

O desconforto tende a ser maior nos primeiros dias após a cirurgia. Em geral, a dor diminui gradualmente dentro de alguns dias. Se a dor aumentar repentinamente após um período menor, ou se simplesmente não desaparecer após uma semana, é recomendável que você entre em contato com seu cirurgião.

Náusea e vômito

Náuseas e vômitos são os efeitos colaterais mais comuns da anestesia geral administrada durante a cirurgia. Os sintomas são maiores nas primeiras 24 a 72 horas após a cirurgia, período em que o anestésico ainda está em seu corpo.

A náusea também pode ser causada outros fatores como a“fadiga” pós-operatória, a má alimentação ou certos medicamentos que podem ser mal tolerados pelo estômago.

Dor de garganta

Quando você acorda da anestesia geral a garganta pode ficar dolorida, principalmente ao engolir. Esse desconforto geralmente é devido ao estresse imposto aos tecidos durante a cirurgia.

A dor de garganta também pode ocorrer pelo inchaço mais intenso, especialmente quando a mandíbula for reposicionada, como já dito anteriormente. A dor na garganta geralmente não dura mais de 2 ou 3 dias após a cirurgia.

Perguntas e respostas

1 – A cirurgia deixa cicatrizes visíveis?

Geralmente não. Praticamente todos os cortes durante cirurgias ortognáticas são realizados no interior boca. Portanto não é comum a presença de cicatrizes visíveis.

2 – Qual a melhor idade para realizar essa cirurgia?

Geralmente, as cirurgias ortognáticas são realizadas após a finalização do desenvolvimento corporal. Algumas vezes essa situação ocorre precocemente, antes dos 16 anos de idade. Deve-se lembrar que as cirurgias ortognáticas são procedimentos essenciais para o tratamento da má-oclusões cujo tratamento é menos complexo em crianças e adolescentes do que em adultos. Além disso, dependendo do tipo de deformidade, a cirurgia é realizada no início, durante ou apóso tratamento ortodôntico.

3 – Existe outra alternativa?

Se o seu caso se qualifica para cirurgia ortognática, mas você não deseja se submeter ao procedimento, uma alternativa é a chamada “camuflagem ortodôntica”. Essa tática consiste em melhorar as condições oclusais movendo os dentes com aparelhos ortodônticos, sem mover os ossos maxilares.

Como fruto do tratamento, a mordida em si é melhorada, mas não as características faciais. Além disso, o deslocamento excessivo dos dentes também pode resultar em problemas periodontais e das articulações mandibulares ou dificultar um possível retorno dos dentes à sua posição original.

4 – Como deve ser a preparação?

Para preparar o paciente é necessária uma consulta inicial para verificar a necessidade e planejar as etapas do tratamento.

Nas consultas subsequentes serão analisadas a história clínica e o estado geral de saúde do paciente, assim como exames radiográficos, fotos e análise dos modelos dos arcos dentários para se entender melhor os movimentos ósseos necessários..

Como em toda cirurgia,no período que a antecede, é recomendado interromper o uso de alguns medicamentos que possam interferir na anestesia e no processo de cicatrização, tais como contraceptivos orais, aspirina, terapias de reposição hormonal e anticoagulantes.O sucesso da intervenção depende também de um preparo psicológico e físico.

5 – Riscos: quais são?

Algumas complicações podem ocorrer, mesmo quando tomadas todas as precauções antes, durante e após a cirurgia pelo seu cirurgião e por você. Até certo ponto, algumas complicações podem ser evitadas, porém outras situações podem ocorrer:

  • Infecção
  • Parestesia nervosa parcial ou total
  • Dor na articulação temporomandibular
  • Dano ou necrose de um dente
  • Fratura inesperada da mandíbula

Todos os cirurgiões têm o dever de explicar os possíveis riscos associados à cirurgia ortognática para todos os pacientes antes do procedimento. Não hesite em fazer todas as perguntas que lhe vierem à mente durante as consultas! Assim você poderá entender os riscos e sentir-se confiante antes de tomar sua decisão de prosseguir ou não com a operação.

6 – Cirurgia ortognática é muito perigosa?

Não! A maioria das operações de reposicionamento da mandíbula ou para correção das assimetrias ósseas não deixa marcas ou cicatrizes. Além disso, todos os pacientes são submetidos a inúmeros exames pré-operatórios e a alta hospitalar geralmente ocorre em até 24h após a cirurgia para minimizar os riscos, que sempre existirão!

7 – O que é mordida aberta e assimetria mandibular?

Mordida aberta é quando os dentes superiores e inferiores não se encontram quando a boca está fechada, deixando um espaço entre as arcadas. Já a assimetria mandibular ocorre quando o queixo e os dentes são desviados para um dos lados.

Conclusão

O sucesso da cirurgia depende da gravidade do defeito e do estágio em que a deformidade facial se encontra, do tratamento ortodôntico eficaz e de um cirurgião experiente.

O Dr. Geraldo Capuchinho é cirurgião plástico e maxilofacial membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Associação Brasileira de Cirurgia Crâniomaxilofacial e realiza cirurgia ortognática avançada para melhor a estética facial sem, no entanto, se esquecer de restaurar a mordida normal e de manter a boa função das articulações temporomandibulares.