Dr. Geraldo Capuchinho — Rhino & Beyond
Decisão e Segurança

Estética, função e segurança na rinoplastia: o artigo que publicamos

Dr. Geraldo Capuchinho

Conteúdo produzido pela equipe Dr. Geraldo

Revisado por Dr. Geraldo Capuchinho

Publicado em · 3 min de leitura

Resposta direta

O artigo reúne o que a literatura de 2019 a 2025 mostra sobre rinoplastia e segurança do paciente. A principal conclusão é que a redução de complicações vem de padronizar o percurso do paciente — planejamento em equipe, avaliação pré-operatória estruturada, documentação e acompanhamento —, e não de padronizar a técnica cirúrgica, que deve seguir a anatomia de cada pessoa. Não é uma diretriz oficial da ISAPS: é uma revisão com nível de evidência V.

Em agosto de 2026 foi publicado na revista Aesthetic Plastic Surgery um artigo que escrevi em coautoria com colegas de diferentes países: "Safe and Integrated Practices in Rhinoplasty: A Contemporary Perspective on Function, Aesthetics, and Patient Safety".

Como o texto original é técnico e está em inglês, reuni aqui um resumo em linguagem acessível — porque o assunto central interessa diretamente a quem está avaliando operar o nariz: o que, de fato, torna uma rinoplastia mais segura.

O que o trabalho analisou

Revisamos a literatura publicada entre 2019 e 2025 — incluindo revisões sistemáticas, metanálises e documentos oficiais da ISAPS — sobre abordagens funcionais, estruturais e de preservação. Foram analisados estudos das três fases do processo: pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório.

O trabalho foi desenvolvido em coautoria, a partir das discussões do Patient Safety Committee (Comitê de Segurança do Paciente) da ISAPS.

O que encontramos

A cirurgia mudou de direção

Há uma mudança global: as técnicas redutivas — que removiam estrutura para diminuir o nariz — vêm cedendo lugar a abordagens estruturais e de preservação, que priorizam o respeito à anatomia e a integridade funcional. Em outras palavras, deixou-se de tratar o nariz como algo a ser reduzido e passou-se a tratá-lo como uma estrutura a ser preservada e reorganizada.

O que reduz complicações não é só a técnica

A evidência sustenta três elementos ao longo de todo o percurso cirúrgico: planejamento em equipe, avaliação psicológica e protocolos padronizados aplicados antes, durante e depois da cirurgia. São fatores de processo, não de técnica — e é aí que está boa parte da margem de segurança.

A tecnologia ajudou, mas não resolve sozinha

Avanços tecnológicos melhoraram a previsibilidade dos resultados e a formação de novos cirurgiões. Ainda assim, permanece uma variabilidade importante entre técnicas e protocolos adotados mundo afora.

A conclusão principal

É o ponto que considero mais relevante para quem está pesquisando sobre a cirurgia: o caminho para reduzir complicações passa por padronizar o percurso do paciente — fluxos perioperatórios, documentação estruturada e avaliação de resultados com instrumentos validados — e não por padronizar a técnica cirúrgica.

A razão é simples: cada nariz tem uma anatomia, e a técnica precisa responder a ela. O que pode e deve ser igual para todos é o rigor do processo em volta da cirurgia.

O artigo também sustenta que uma cultura de segurança não se constrói só com protocolos. Ela exige empatia, colaboração entre as equipes e o papel ativo do cirurgião como mediador técnico e ético em todas as etapas do cuidado.

O que este artigo não é

Esse esclarecimento é parte do próprio texto publicado, e faço questão de repeti-lo aqui:

  • Não é uma diretriz oficial da ISAPS. É uma reflexão crítica sobre a evidência atual e sobre as discussões do Patient Safety Committee.
  • Tem nível de evidência V. A revista classifica cada artigo em uma escala de evidência, e o nível V corresponde a revisão e opinião de especialistas — não a um ensaio clínico. Isso não diminui o trabalho, mas define com honestidade o peso que ele tem.
  • Não estabelece regra de conduta para outros cirurgiões. É uma contribuição ao debate, não uma norma.

Referência e leitura completa

Capuchinho-Júnior GA, Cervantes A, Nikoumaram B, Robotti E, Hesamirostami M, Çerkes N, Poignonec S. Safe and Integrated Practices in Rhinoplasty: A Contemporary Perspective on Function, Aesthetics, and Patient Safety. Aesthetic Plastic Surgery, 2026. DOI: 10.1007/s00266-026-06193-4.

Ler o artigo completo (link de leitura disponibilizado pela editora) · Página da publicação no Springer

Congresso Mundial da ISAPS 2026

Pela terceira vez participarei como Invited Faculty do Congresso Mundial da ISAPS, que acontece em Cancún — pré-congresso em 27 de outubro e programa principal de 28 a 31 de outubro de 2026. Lá apresentarei este trabalho e discutirei o tema com colegas de diferentes países.

Agradeço aos coautores e à organização pela oportunidade de levar essa discussão para fora do consultório.

Perguntas frequentes

O que o artigo conclui sobre segurança na rinoplastia?

Que a redução de complicações vem principalmente de padronizar o percurso do paciente — planejamento em equipe, avaliação pré-operatória estruturada, documentação e acompanhamento —, e não de padronizar a técnica cirúrgica, que precisa responder à anatomia de cada pessoa.

Esse artigo é uma diretriz oficial da ISAPS?

Não. É uma revisão crítica da literatura, construída a partir das discussões do Patient Safety Committee da ISAPS. O próprio texto publicado faz esse esclarecimento.

O que significa "nível de evidência V"?

A revista classifica cada artigo em uma escala de evidência. O nível V corresponde a revisão e opinião de especialistas — diferente de um ensaio clínico controlado. É a classificação adequada para um trabalho desse tipo, e informá-la faz parte da transparência científica.

O que mudou nas técnicas de rinoplastia nos últimos anos?

A revisão identificou uma transição global das técnicas redutivas, que removiam estrutura, para abordagens estruturais e de preservação, que priorizam o respeito à anatomia e a manutenção da função respiratória.

Posso ler o artigo completo?

Sim. A editora disponibilizou um link de leitura em rdcu.be/fzj7s, e a página da publicação fica no Springer, pelo DOI 10.1007/s00266-026-06193-4.

Quem são os coautores?

Além do Dr. Geraldo Capuchinho, que assina como primeiro autor, o trabalho é assinado por André Cervantes, Babak Nikoumaram, Enrico Robotti, Mohammadhossein Hesamirostami, Nazim Çerkes e Sylvie Poignonec.

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Dr. Geraldo Capuchinho
Responsável técnico pelo conteúdo Dr. Geraldo Capuchinho

CRM-MG 53.944 · RQE 37.020 (Cirurgia Plástica) · RQE 44.890 (Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial)

Cirurgião plástico em Belo Horizonte com dupla formação em Cirurgia Plástica e Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial. Dedica-se à rinoplastia estruturada — estética e funcional — organizando a decisão cirúrgica pela sequência função, estrutura e forma.

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Aviso Este conteúdo é informativo e educativo. Ele não substitui a consulta médica presencial, não constitui promessa de resultado e não serve para autodiagnóstico. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação individual — e nem toda rinoplastia é indicada.